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O lilial, ou lysmeral, é uma substância sintética com forte aroma floral de lírios-do-vale criada em 1946 por um grupo de cientistas. É uma alternativa ao óleo essencial dessas flores, de difícil extração e preço bastante elevado. O lilial é amplamente usado em cosméticos, perfumes, produtos de limpeza, tintas, inseticidas e produtos aromatizados em geral, como roupas, produtos de papelaria e brinquedos. É uma substância bastante polêmica, com reputação de ser carcinogênica, tóxica para o sistema reprodutivo e alergênica. Seu uso é proibido na União Europeia e no Reino Unido desde março de 2022, depois do parecer do Comitê Científico de Segurança do Consumidor (SCCS), órgão responsável por apresentar recomendações à Comissão Europeia sobre possíveis riscos do uso de produtos não alimentícios. Em 2019, o SCCS concluiu que o lilial não pode ser considerado seguro para utilização em cosméticos. De acordo com o órgão, ainda que o uso de um único produto com a substância seja considerado seguro, a população está exposta à utilização simultânea de vários produtos com esse ingrediente. No parecer foram analisados diversos estudos (os quais o 13:20 HUB não obteve acesso) da empresa alemã BASF, uma das distribuidoras do lilial. O SCCS concluiu que o ingrediente é tóxico quando inalado, tem potencial alergênico e sensibilizante da pele e que, com seu uso tópico, pode haver absorção sistêmica. O órgão considerou que não há evidências de que a substância seja carcinogênica, mas que, segundo alguns estudos em animais, seu uso oral pode causar prejuízos ao sistema reprodutivo masculino. A Agência Europeia de Substâncias Químicas (ECHA) classificou o lilial como sensibilizante da pele, alergênico, prejudicial para reprodução humana e tóxico para a vida aquática. Entretanto, nos documentos consultados disponíveis nas referências, não fica claro de onde tais informações foram obtidas. Quanto à absorção sistêmica, dois estudos alemães foram encontrados na literatura disponível. Um estudo de Magnano e sua equipe, de 2020, analisou amostras de urina de 2133 crianças e adolescentes da Alemanha. Foram encontrados metabólitos do lilial em 99% das amostras de urina analisadas. As meninas apresentaram uma maior concentração da substância, que os autores associaram a um maior uso de produtos cosméticos. Um outro estudo, de 2021, de Scherer e colaboradores, analisou amostras de urina de 329 voluntários na Alemanha. Foram encontrados metabólitos de lilial em quase todas as amostras analisadas. No Brasil o uso da substância é ainda permitido. Porém, em 2011, a Anvisa determinou que a presença desse componente deve ser indicada no rótulo de cosméticos pela nomenclatura INCI quando sua concentração exceder 0,001% nos produtos sem enxágue e 0,01% em produtos com enxágue.
Confere um aroma floral agradável de lírio-do-vale às formulações cosméticas.
Alergia ou sensibilidade ao lilial.
Sabonetes, esfoliantes, shampoos, condicionadores, máscaras capilares, perfumes, maquiagens, produtos de estilização capilar, tinturas de cabelo, hidratantes, séruns, máscaras faciais, desodorantes, protetores solares, tônicos, óleos corporais, sais de banho, produtos de cuidado com a barba, demaquilantes, esmaltes, removedores de esmalte, aromatizadores de ambientes, cosméticos infantis, produtos de limpeza doméstica.
BASF. Lysmeral® Extra. Disponível em: https://www.basf.com/global/en/products/segments/nutrition_and_care/nutrition_and_health/aroma-ingredients/our-product-range/muguet/lysmeral-extra.html. Acesso em: 27 maio 2022.
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