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INGREDIENTE

Dióxido de Titânio

O dióxido de titânio é um óxido metálico encontrado na natureza principalmente em depósitos minerais de origem vulcânica e utilizado em tintas, cosméticos, purificação de água, alimentos, medicamentos, janelas auto-limpantes, plásticos e eletroeletrônicos.

É considerado um filtro inorgânico (físico) da radiação ultravioleta quando aplicado topicamente. Os filtros inorgânicos (físicos) são substâncias opacas e inertes, de origem mineral, que atuam formando uma barreira sobre a pele, refletindo, dispersando e, no caso de filtro inorgânicos micronizados ou em nanopartículas, absorvendo a luz UV.

São a forma mais segura de proteger a pele contra a radiação nociva, uma vez que possuem alta eficácia na proteção contra a radiação UV e baixo potencial alergênico, sendo especialmente indicados para produtos infantis e peles sensíveis. O dióxido de titânio costuma deixar a pele esbranquiçada, por isso a indústria cosmética criou a versão micronizada e a versão nanoparticulada, com partículas de tamanho menor, que diminuem o efeito esbranquiçado na pele e também aumentam a efetividade do produto. A versão nanoparticulada do dióxido de titânio é ainda muito polêmica, pois há a crença de que essas partículas de tamanho bastante diminuto poderiam penetrar na pele, atingindo e causando dano aos órgãos internos.

No entanto, a grande maioria dos estudos demonstra que não há penetração pelas camadas profundas da epiderme após o uso tópico de nanopartículas de dióxido de titânio. Na literatura pesquisada, um único estudo chegou a conclusões diferentes. Em 2009, Wu e colaboradores constataram em sua pesquisa, conduzida em ratos sem pelos, que, após 60 dias de aplicação diária tópica de nanopartículas de dióxido de titânio, houve absorção pela pele, inclusive atingindo órgãos internos. Entretanto, deve ser considerado que a pele de ratos é bastante diferente da pele humana, tendo, inclusive, espessura 50% menor que a dos humanos. Portanto, não é possível afirmar que esses mesmos resultados ocorreriam em peles humanas. É importante ressaltar que mais pesquisas necessitam ser conduzidas a fim de comprovar a segurança do uso do dióxido de titânio nanoparticulado.

Todavia, existe a preocupação com a absorção da substância nanoparticulada pelos pulmões através da inalação de produtos em forma de spray ou de pó. Essa forma de utilização é proibida em cosméticos na União Europeia. No Brasil ainda é permitida pela Anvisa. Existe, ainda, a preocupação quanto a toxicidade ambiental. A versão micronizada é considerada segura para o meio ambiente, porém a versão nanoparticulada, de acordo com alguns estudos, pode causar uma variedade de efeitos tóxicos para a vida marinha, como possível prejuízo para vermes marinhos, crustáceos, algas, peixes, mexilhões, corais e outras espécies marinhas. Porém, mais estudos são necessários para comprovar a ecotoxicidade provocada pelas nanopartículas de dióxido de titânio.

NOME CIENTÍFICO:​ Titanium dioxide
inci:
Titanium dioxide / CI 77891
propriedades e indicações:

Reflete, dispersa e, em alguns casos, absorve a radiação ultravioleta. Protege a pele contra os raios UVA e UVB, porém é menos efetivo na proteção contra a radiação UVA. Também confere um tom esbranquiçado às formulações cosméticas.

contra-indicações:

Não utilizar em crianças menores de 6 meses.

danos ambientais:
ONDE É ENCONTRADO:

Protetores solares, maquiagens, esmaltes, tinturas de cabelos, pasta de dentes, shampoos, sabonetes, hidratantes, séruns, lip balms, esfoliantes, sais de banho, desodorantes, óleos corporais, máscaras faciais, máscaras capilares, cremes de barbear, tônicos, demaquilantes, cosméticos infantis, sprays de cabelo, ceras para depilação.

fontes:

/BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n° 69, de 23 de março de 2016, dispõe sobre o “Regulamento Técnico MERCOSUL sobre lista de filtros ultravioletas permitidos para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes”. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2016/rdc0069_23_03_2016.pdf. Acesso em: 10 maio 2022.

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