INGREDIENTE

Óxido de Zinco

O óxido de zinco é um óxido metálico encontrado na natureza em um mineral denominado zincita e utilizado em dispositivos eletrônicos, cerâmicas, tintas, porcelanas, cosméticos, purificação de água e na indústria farmacêutica e de alimentos.

É considerado um filtro inorgânico (físico) da radiação ultravioleta quando aplicado topicamente. Os filtros inorgânicos (físicos) são substâncias opacas e inertes, de origem mineral, que atuam formando uma barreira sobre a pele, refletindo, dispersando e, no caso de filtro inorgânicos micronizados ou em nanopartículas, absorvendo a luz UV. São a forma mais segura de proteger a pele contra a radiação nociva, uma vez que possuem alta eficácia na proteção contra a radiação UV e baixo potencial alergênico, sendo especialmente indicados para produtos infantis e peles sensíveis.

O óxido de zinco costuma deixar a pele esbranquiçada, por isso a indústria cosmética criou a versão micronizada e a versão nanoparticulada, com partículas de tamanho menor, que diminuem o efeito esbranquiçado na pele e também aumentam a efetividade do produto. A versão nanoparticulada do óxido de zinco é ainda muito polêmica, pois há a crença de que essas partículas de tamanho bastante diminuto poderiam penetrar na pele, atingindo e causando dano aos órgãos internos.

No entanto, a grande maioria dos estudos demonstra que não há penetração pelas camadas profundas da epiderme após o uso tópico de nanopartículas de óxido de zinco. Na literatura pesquisada, um único estudo chegou a conclusões diferentes. Em 2010, Gulson e sua equipe conduziram um estudo sobre a absorção de óxido de zinco nanoparticulado pela pele humana. A substância foi aplicada durante 5 dias consecutivos em 11 indivíduos. Após esse período, foi constatada pequenas concentrações de zinco na urina e no sangue dos indivíduos pesquisados. Embora os pesquisadores tenham concluído que o óxido de zinco nanoparticulado foi capaz de penetrar profundamente na pele humana, foi ressaltado que não é possível assumir que o zinco encontrado na urina e no sangue seja oriundo do óxido de zinco contido na fórmula estudada.

É importante salientar que mais pesquisas necessitam ser conduzidas a fim de comprovar a segurança do uso do óxido de zinco nanoparticulado em protetores solares. Todavia, existe a preocupação com a absorção da substância micronizada e nanoparticulada pelos pulmões através da inalação de produtos em forma de spray ou de pó. O Comitê Científico da Segurança dos Consumidores da Europa não recomenda o uso de óxido de zinco nanoparticulado em produtos aerossois, motivo pelo qual este tipo de uso é proibido na Europa desde 2018. No Brasil, a Anvisa ainda não se manifestou sobre o assunto e o seu uso em produtos em spray ou em pó segue permitido. Existe, ainda, a preocupação quanto a toxicidade ambiental.

A versão micronizada é considerada segura para o meio ambiente, porém a versão nanoparticulada, de acordo com alguns estudos, pode causar uma variedade de efeitos tóxicos para a vida marinha, como possível prejuízo para vermes marinhos, crustáceos, algas, peixes, mexilhões, corais e outras espécies marinhas. No entanto, mais estudos são necessários para comprovar a ecotoxicidade provocada pelas nanopartículas de óxido de zinco.

NOME CIENTÍFICO:​ Zinc Oxide
inci:
Zinc Oxide, CI 77947
propriedades e indicações:

Reflete, dispersa e, em alguns casos, absorve a radiação ultravioleta. Protege a pele contra os raios UVB e UVA.

Também confere uma coloração esbranquiçada às formulas cosméticas, além de ter propriedades antimicrobianas, motivo pelo qual é utilizado em desodorantes e cremes dentais.

contra-indicações:

Não indicado para crianças menores de 6 meses.

danos ambientais:
ONDE É ENCONTRADO:

Protetores solares, maquiagens, desodorantes, hidratantes, séruns, lip balms, pasta de dentes, sabonetes, esmaltes, cosméticos infantis, esfoliantes, shampoos, condicionadores, ceras para depilação, cremes de barbear, tônicos

fontes:

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