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Cannabis, cogumelos, psicodélicos: o lado controverso e cheio de potencial das práticas integrativas

Por muito tempo nos sustentamos na ideia ocidental de que uma pessoa saudável está livre de doenças. Mas estamos entendendo que essa lógica não é suficiente para contemplar toda a complexidade física, mental e emocional do ser humano. É aí que entram as práticas integrativas – muitas delas resgatadas dos saberes tradicionais e, agora, associadas à ciência para oferecer às pessoas uma abordagem menos fragmentada de saúde.

Não é mais novidade para ninguém que meditação, yoga, acupuntura e homeopatia, só para citar alguns exemplos, podem oferecer diversos benefícios à saúde. São técnicas amplamente utilizadas há centenas, e até milhares, de anos. Mas as práticas integrativas abrangem muitas outras possibilidades, algumas delas ainda polêmicas e restritas no quesito legal. 

Quando se trata de temas considerados tabus pela sociedade, os debates se estendem por um longo período, dificultando avanços em direção ao uso seguro e regulamentado de cannabis, cogumelos e outros psicodélicos em práticas integrativas. Mesmo nesse cenário, existe um mercado latente de pessoas interessadas em experiências de bem-estar. Nos países onde a liberação de alguns componentes está mais adiantada, os negócios na área prosperam a passos largos.

 

Um panorama das práticas integrativas no Brasil

Assim como no resto do mundo, as práticas integrativas também fazem parte de uma forte tendência no Brasil. Em 2006, a aprovação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares contribuiu para a disseminação de uma grande variedade de atividades e terapias, inclusive dentro da rede do SUS. De forma indireta, esse conhecimento aumentou o interesse geral das pessoas pela saúde integrativa, beneficiando marcas e profissionais que atuam com bem-estar.

Por outro lado, a utilização de substâncias psicoativas em práticas integrativas ainda está longe de receber o mesmo incentivo. O projeto de lei nº 399/2015, que prevê a liberação da cannabis para fins medicinais e industriais, está bloqueado na Câmara de Deputados, sem previsão de votação. Até o momento, a Anvisa autorizou a venda em farmácias de 14 produtos e um medicamento à base de THC, o princípio ativo da cannabis, que pode estar presente de forma isolada ou em associação com o CBD. A compra só pode ser feita com prescrição médica e para uso próprio. O cultivo da planta no Brasil continua proibido.

No que se refere a psicodélicos, há apenas duas brechas na lei que permitem o consumo individual. Embora o uso terapêutico da psilocibina, componente alucinógeno de alguns cogumelos, não seja permitido, é possível comprar os fungos psicodélicos in natura sem qualquer restrição. Desde 1992, também é legalizado o consumo de ayahuasca, bebida psicodélica tradicionalmente consumida em cerimônias na região amazônica.

O que se percebe, tanto no Brasil como na maioria dos países, são liberações voltadas ao uso em ambientes e condições bastante controlados. Mas o progresso constante nas pesquisas científicas e a pressão da sociedade podem trazer novas perspectivas em um futuro não muito distante.

 

Oportunidades para o mercado de beleza e bem-estar

A inserção de cannabis, cogumelos e psicodélicos nas práticas integrativas tem fundamento nas propriedades que podem ser extraídas dessas matérias-primas. Não se trata de curar uma disfunção específica, mas de oferecer recursos para o bem-estar integral, que é exatamente o que as pessoas mais desejam. 

Esses insumos – sejam em versões psicoativas ou não – podem ser incorporados a produtos alimentícios, suplementos e cosméticos. A ideia de consumi-los está diretamente ligada ao conceito de saúde integrativa, que olha o ser humano de forma sistêmica. 

 

Cannabis

Já famoso no universo do bem-estar, o CBD (Cannabidiol) é o principal componente da cannabis utilizado pela indústria. Como essa substância não gera efeitos psicoativos, diversos países já permitem a adição em produtos comercializados normalmente no varejo. É possível encontrar CBD em skincare, sabonetes, óleos corporais, balas, chocolates, café e o que mais for possível imaginar. 

No mercado da beleza, o CBD está entre os preferidos do momento pela ação antioxidante, que previne o envelhecimento da pele, e anti inflamatória. Mas ainda não há exceção legal para produção ou venda de produtos com CBD no Brasil, nem mesmo cosméticos. 

Para oferecer uma alternativa de insumo às marcas que desejam apostar nesse mercado de alto potencial, e praticamente desatendido no Brasil, a Beraca desenvolveu o CBA (Cannabinoid Active Sistem). O composto, com fórmula patenteada, atende às normas regulamentadoras brasileiras, tem base natural e produz efeitos similares ao CBD no corpo humano.

Além do CBD, outro componente da cannabis que atrai atenção do mercado de bem-estar é o THC (Tetrahidrocanabinol), responsável pelos efeitos psicoativos e, por isso, de difícil liberação. Atualmente, apenas Canadá, Uruguai e algumas regiões dos Estados Unidos autorizam o plantio livre de cannabis, enquanto mais de 30 países permitem o cultivo de cânhamo, versão da planta com menos de 0,3% de THC. Já em relação às regras de consumo, é possível notar um movimento global de flexibilização. 

 

Cogumelos

Os cogumelos estão mais atuais do que nunca, mas os benefícios deles já são conhecidos há muito tempo. Utilizados na Medicina Tradicional Chinesa e no Ayurveda, os representantes do Reino Fungi estão, aos poucos, sendo descobertos e valorizados pelos ocidentais. Segundo uma pesquisa da Research and Markets, o mercado à base de fungos deve alcançar um valor de US$63 bilhões em 2027.

Em grande parte, o interesse pelos fungos está relacionado às propriedades funcionais, como estímulo ao sistema imunológico, controle da pressão arterial, ação antiviral e antioxidante. Várias espécies não alucinógenas já são adicionadas a suplementos e produtos de beleza. Em cosméticos, os benefícios dos fungos incluem regeneração da pele, hidratação, clareamento de manchas e anti inflamação. 

Alguns cogumelos também podem gerar efeito psicoativo, por meio da ingestão in natura ou de cápsulas com psilocibina, proibidas no Brasil. Os estudos na área avaliam de que forma o consumo de microdoses de cogumelos alucinógenos influencia em fatores como humor, cognição e percepção. A série Fungos Fantásticos, disponível na Netflix, mostra um pouco da magia que existe por trás desses seres ainda bastante misteriosos para nós, humanos. 

 

Psicodélicos

As micro dosagens de substâncias psicodélicas estão se tornando uma verdadeira febre – e não são apenas os cogumelos que entram nessa esfera. Também são usados psicoativos como LSD, MDMA (conhecido como ecstasy) e cetamina. O consumo de microdoses pode melhorar a sensação geral de bem-estar, auxiliar na concentração e criatividade. Um dos principais focos da ciência é a aplicação em tratamentos para depressão.

De acordo com a Reserach and Markets, o mercado mundial de psicodélicos deve valer US$10,8 bilhões em 2027. Mas ainda não existe consenso sobre o uso recreativo seria seguro ou poderia gerar consequências a longo prazo. Também não se sabe a eficácia das micro dosagens a longo prazo, mas já estão sendo observadas vantagens significativas no consumo com intervalos programados. 

Assim como acontece com outras substâncias psicoativas que podem ser valiosas em práticas integrativas, a ilegalidade e a falta de regulamentação deixa margem para o uso irresponsável de psicodélicos. Mas a situação não deve se estender por muito tempo dessa forma e, definitivamente, esse é um assunto de grande relevância para o mercado de saúde, beleza e bem-estar.

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