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O resgate dos princípios ancestrais que promovem o bem-estar metafísico

Já temos conhecimento de muitos dos princípios científicos sobre bem-estar e o que necessitamos para o bom funcionamento do organismo humano. Precisamos de nutrientes como proteínas, vitaminas e minerais diversos para a manutenção da saúde que podem ser obtidos por meio de uma alimentação equilibrada e menos ultraprocessada. Precisamos de exposição ao sol, mas não aos raios UVB e UVA. Além da prática de atividades físicas para melhorar a condição do corpo e suas funções internas, o mais conhecido dos hábitos saudáveis recomendados para se viver bem.

Mas o equilíbrio emocional e psicológico também deve ser trabalhado rotineiramente, e, para isso, a medicina ancestral, composta por conhecimentos intuitivos, práticas terapêuticas conectadas à natureza e rituais milenares, potencializa a conquista de outras dimensões do sentimento de bem-estar que transcendem a nossa dimensão física, servindo para fortalecer vínculos afetivos individuais e coletivos, alavancar o autoconhecimento, o crescimento interior, a autoestima, a empatia, a solidariedade, e, portanto, promover uma qualidade de vida global aos indivíduos e às sociedades.

Medicina Tradicional Chinesa: bem-estar na ponta da língua 

Com uma estrutura teórica sistemática e abrangente, além de filosófica, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) inclui entre seus princípios o estudo da relação de Yin/Yang, a teoria dos Cinco Elementos (Água, Terra, Fogo, Ar, Madeira) e o sistema de circulação da energia pelos meridianos do corpo humano (Energia Qi), seguindo os ciclos dinâmicos da natureza, que são contínuos e transmutam o tempo todo.  

Na língua chinesa, “mente e corpo” não são palavras separadas. Também é na língua, órgão da nossa boca, que os médicos chineses tradicionais vão buscar pistas e respostas para os males que nos afligem, pois para a MTC, todos os órgãos maciços têm comunicação direta ou indireta com este músculo móvel intercalado por tecido adiposo. Alterações energéticas nos meridianos, dos pés à cabeça, se manifestam na língua, abrindo um mapa que norteia a avaliação sobre como está a condição geral de saúde de uma pessoa.

Algumas das práticas terapêuticas da MTC são bem conhecidas no ocidente, como acupuntura, fitoterapia, dietoterapia, pulsologia, ventosaterapia, moxabustão. O avanço da ciência permitiu, inclusive, algumas inovações como a eletroacupuntura, onde estímulos elétricos são transmitidos às agulhas, potencializando o tratamento e os resultados.

Há também as práticas corporais tradicionais chinesas  – Qigong, Tai Chi Chuan e Lian Gong – que encontram respaldo em publicações científicas para prevenir e tratar várias condições clínicas e de saúde como dores crônicas, hipertensão, depressão e diabetes mellitus, além de também promoverem o equilíbrio físico, límbico e social. 

 

Ayurveda, Yoga e Meditação: bem-estar de dentro para fora

A contribuição da Índia e sua cultura ancestral também está sendo incorporada à mentalidade das sociedades contemporâneas em busca de maior equilíbrio, saúde, propósito existencial e crescimento espiritual. Vem como um respiro profundo para aliviar a rotina pesada do sistema capitalista, as demandas estressantes do trabalho, consumismo excessivo, preocupações familiares, cenário socioeconômico instável, os desafios de transformar nossa relação atual com a natureza, de ampliar a consciência coletiva sobre a finitude dos recursos naturais, e a necessidade urgente de desacelerarmos e diminuirmos nossa pegada no Planeta. 

O Ayurveda, ou a “ciência da longa vida”, tem mais de 5 mil anos. É a medicina de origem indiana que se apoia em três pilares básicos: cuidados alimentares, qualidade do sono e prática de rotinas diárias voltadas para a autoconsciência e a auto-observação, como a meditação, exercícios físicos e respiratórios, aplicação corporal de óleos, o uso de plantas medicinais e de minerais com eficácia e segurança clínica comprovadas cientificamente.

A cosmovisão ayurvédica se baseia nos cinco elementos do universo: éter/espaço (Akasha), ar (Vayu), fogo (Agni), água (Apas) e terra (Prittivi). A combinação desses elementos se dá em pares, formando o conceito de Doshas. Na medicina ayurvédica é essencial entender a fisiologia de cada um. Cada ser humano é único no seu sentir, pensar, agir, funcionar, e as diversas terapias ayurvédicas tratam os Doshas de forma personalizada para restabelecer a saúde integral. 

Também da Índia a humanidade herdou o Yoga e a Meditação. Muito mais do que um conjunto de respirações e posturas (asanas) que trazem relaxamento, concentração, tranquilidade e fortalecimento do físico, o Yoga leva a um estado de meditação que visa a harmonia entre o corpo e a mente. 

Mas para chegar a um estado meditativo não é necessário realizar asanas – trabalha-se apenas a respiração para chegar a um estado de relaxamento e concentração profundos. Um exemplo atual é o método Mindfulness, que promove a atenção plena por meio da prática de se concentrar completamente no presente, incluindo a percepção dos sentimentos, das sensações e do ambiente.

Filosofias de vida e sistemas de cuidado multidimensionais, Yoga e Meditação são práticas complementares que visam a harmonia entre o corpo e a mente, trabalham as emoções, ajudam as pessoas a se conhecerem intimamente e a ficarem centradas, contribuindo imensamente para a obtenção do bem-estar físico, mental e emocional, e o auxílio efetivo no tratamento de doenças crônicas como câncer, dor, diabetes, transtornos mentais, hipertensão e doenças cardiovasculares. 

 

Indígenas, os povos originários: bem-estar é respeitar a Terra

Um dos grandes ensinamentos que os povos indígenas de toda a América Latina vêm tentando transmitir ao “homo urbanus” , desde tempos imemoriais, é o de saber respeitar a “mãe” Terra, que é sagrada pois é viva, pulsa. Nela, tudo frutifica: rios, montanhas, pedras, mares, fauna e flora, seres humanos.

Na visão desses povos, a terra é muito mais do que um espaço onde se habita, ela é parte integrante da existência de todos os seres, animados ou não. A Terra é a base do almejado tekovê porã, o “bom modo de viver”, intimamente ligado aos equilíbrios sociais e cósmicos e à existência individual e coletiva. 

A doença para os povos originais é resultado de uma desarmonia com a natureza, que na sua visão compreende a família, os amigos e o meio ambiente. A tradição de cura indígena está ligada ao xamanismo, na figura de um líder espiritual que realiza práticas etnomédicas, mágicas, ritos envolvendo transe, transmutação e contato entre corpos e espíritos de outros xamãs, de seres míticos, dos animais e dos mortos, que pode incluir o uso de plantas da floresta, fluidos de animais (como no ritual com a rã-kambô), danças, cantos, emplastros, fumaça, fogo.

 

8 dimensões do bem-estar na atualidade

Para alcançar o bem-estar integral, mantendo os aspectos físicos, mentais e emocionais alinhados e equilibrados, dependemos do autocuidado e de um olhar atento e proativo para diversas outras dimensões da nossa vida moderna, como relacionamentos, talentos e propósito.

Em 1976, o Dr. Bill Hettler, co-fundador do National Wellness Institute nos Estados Unidos, criou um modelo de bem-estar que consistia em seis dimensões de saúde. Na atualidade, são oito as dimensões consideradas necessárias para que possamos alcançar o nosso Eu mais saudável e integrado:

  1. Saúde física: o cuidado com o corpo material e o funcionamento dos órgãos, por meio da boa alimentação e de atividades físicas para melhorar o sistema imunológico, fortalecer ossos e músculos, prevenir problemas nas articulações, desenvolver a flexibilidade, a postura e a capacidade funcional global.
  2. Saúde emocional: importante para nossas relações interpessoais, é preciso cuidar,  compreender e canalizar as emoções de forma adequada para o nosso bem viver e a boa convivência com os outros seres, culturas, espaços internos e externos.
  3. Saúde familiar: boa relação com familiares é a base para  a saúde de todos os outros relacionamentos, o desenvolvimento da autoestima, compaixão, empatia e sensação de pertencimento.
  4. Saúde social: uso dos talentos e habilidades para a construção de uma sociedade mais igualitária, compassiva e justa, por meio do ativismo e/ou trabalho voluntário e altruísta.
  5. Saúde profissional/vocacional: nem sempre é possível fazer o que se ama, mas é possível amar o que se faz, buscando o equilíbrio nas atividades profissionais.
  6. Saúde financeira: como você se relaciona com o dinheiro diz muito sobre sua herança emocional e pode ter um resultado positivo ou negativo no seu bem-estar.
  7. Saúde espiritual: relacionada à fé e às crenças dos seres humanos, independe de religiões, mas depende da busca interior, do autoconhecimento, de uma consciência ativa. 
  8. Saúde intelectual: fundamental praticar o equilíbrio entre o desenvolvimento do cérebro racional e do cérebro límbico (emocional), o aprimoramento das capacidades cognitivas e a compreensão dos mundos interno e externo. 

Já se fala também em uma nona saúde, a Ecológica. Entender, como os povos ancestrais nos mostram, a nossa conexão com o planeta, as outras espécies, a vida nas suas mais diferentes formas, cuidando de tudo isso como gostaríamos de ser cuidados.

Equilibrar todas as suas saúdes para alcançar o bem-estar, metas e sonhos, requer autoconhecimento, dedicação, disciplina, controle para canalizar emoções, bom senso, empatia, autoaperfeiçoamento, amor próprio e, claro, amor pelos outros, pela natureza e o Planeta.

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