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Por que precisamos defender a beleza livre?

Se a beleza limpa tem por base dois conceitos técnicos importantes – não usar ingredientes tóxicos e aplicar a inovação para criar produtos biocompatíveis com o organismo humano e os ecossistemas do planeta – a beleza livre se apropria desses princípios e vai muito além.

O movimento beleza livre reverbera em diversas dimensões: filosófica, artístico-cultural, ambiental, econômica e das relações humanas. Por isso mesmo, defender a beleza livre é um ato político, jurídico, de saúde pública, sustentabilidade e direitos humanos. E é urgente.

As empresas e marcas de produtos e serviços de beleza e higiene devem mergulhar nessas novas dimensões, libertando a beleza de ingredientes tóxicos e químicos nocivos, resíduos poluentes, embalagens não sustentáveis, crueldade animal. Mas não somente.

No universo da beleza livre não cabem os padrões estéticos engessados das tradições culturais, da fisiologia humana ou mesmo da história da arte. Não se admite idealizar corpos, peles, pessoas e comportamentos em uma ‘embalagem’ única. Nem categorizar hierarquicamente ou qualitativamente as pessoas pelo quanto elas ‘se encaixam’ no estereótipo do momento, aquele que está na moda. 

Ninguém é melhor que alguém por nascer nesta ou naquela cultura, raça, etnia, biotipo, condição socioeconômica, localização geográfica. Cada ser tem a sua beleza única, original, autêntica, e deve poder expressá-la livremente, com segurança e integridade física, moral e emocional. 

 

Uma brevíssima história da beleza sapiens

Na natureza, diversas espécies se apresentam mais ‘belas’ para atrair o parceiro ou parceira e procriar, utilizando-se de cores, plumagens, caudas, danças, cantos, entre outros artifícios. O macho ou a fêmea respondem a esses estímulos seguindo o instinto de reprodução, mas não podemos afirmar que processam a ‘beleza’ intelectualmente como nós, da espécie homo sapiens, o fazemos.

O conceito de belo na sociedade humana é uma construção dinâmica e cognitiva, que lida com a percepção, a regulação das emoções, o controle de impulsos e as tomadas de decisão, impactando, assim, a saúde mental, a qualidade de vida e as relações interpessoais.

Desde a idade antiga, a proporção é uma parte importante dos cânones da beleza. Para gregos e romanos, a proporção correta compreendia além do traçado antropométrico, o ‘conjunto visual’: a textura da pele e o nível de atração do rosto, frente aos padrões de beleza desejados, aproximavam o indivíduo de uma imagem esteticamente ‘bela’. 

Simetria, textura e padrões faciais, além de biológicos, são construções culturais que apresentam uma grande diversidade de estados e despertam diversas atitudes nas relações sociais. 

De fato, a busca incessante por padrões de beleza nas sociedades contemporâneas tem forte influência sobre os fatores que determinam o bem-estar biopsicossocial. 

Os cidadãos da era digital, globalmente conectados, são alimentados por conceitos de beleza que levam pessoas de todas as idades a situações extremas, inclusive de doença física e mental. Filtros oferecem distorções graves da visão de si e do outro, promovendo um adoecimento moral e o empobrecimento ético e estético. A visão de beleza se torna contrastante quando a individualidade e a imagem do corpo de uma pessoa são sugestivas da visão de outra pessoa, a ‘imagem em espelho’. Mas nem tudo o que é visto como lindo é saudável. Existe uma ditadura da beleza.

Por milhares de anos, nossa espécie tenta se representar por meio da arte, em uma tentativa inconstante de encontrar a verdadeira beleza. Mas a arte é subjetiva, por mais fiel que seja à realidade material. 

O momento pede reflexão. Que tal pararmos essa busca insana e aceitarmos que ‘ser’ é muito mais bonito do que ‘estar’ bonito? Que tal criadores, produtores, marcas, empresas, meios de comunicação, agências, modelos, investidores, consumidores e todos os players da indústria da moda contribuirmos para derrubar essa ditadura da beleza?

 

Beleza livre é o novo normal: deixa as pessoas, cuida da (sua) vida

Falar de beleza, hoje, requer uma nova semântica, uma nova interpretação do significado dessa palavra, que vai muito além do prazer estético ou de uma funcionalidade emocional. Beleza é um estado de ser, sentir, agir, fazer, expressar-se, relacionar-se. De cuidar de si e de outres. 

A beleza livre é um movimento irreversível que reivindica mudanças nas relações comerciais e interpessoais, exigindo das marcas e empresas senso crítico, governança, transparência, responsabilidade ambiental, a proteção dos animais e a defesa dos direitos humanos. É livre de testes cruéis, de resíduos poluentes, de químicos nocivos, de ingredientes e processos insustentáveis ou agressivos para a saúde das pessoas e do planeta. Também é livre de padrões culturais tóxicos e julgamentos que oprimem a expressão individual das pessoas. 

Cada vez mais conscientes, mobilizados e bem informados, homens e mulheres, jovens, adultos e maduros, apoiam a beleza livre ao demandar e escolher produtos atóxicos, biotecnológicos, com embalagens eco sustentáveis, baixa pegada de carbono, livres de experimentação em animais, e que prezam pela representatividade humana e a equidade de direitos. 

Não é sobre idealização, mas identificação. Olhar-se no espelho e enxergar quem a pessoa verdadeiramente é. Aceitar-se, e ao outro. Gostar-se. Identificar-se. Ser livre para simplesmente ter seu espaço no mundo, um lugar de fala.

É abraçar o ‘perfeito’ e ‘desejável’ sendo quem é, ainda que imperfeito frente ao padrão imagético de uma beleza inatingível (e indesejável do ponto de vista fisiológico e mental), distorcida por filtros e parâmetros herméticos, ainda reforçados pela mídia, a indústria e os ditadores da beleza sustentada por código de barras.

Deixar as pessoas serem quem são, e o melhor que puderem (e quiserem) ser. Para além da cor, do tom, da textura da pele. Da simetria. Do conjunto da obra. 

Aceitar as marcas e características do indivíduo – acne, melasma, pintas, vitiligo, deficiências – e as que são escolhidas por ela – tatuagem, piercing, tratamentos estéticos, intervenções cirúrgicas. Tudo dentro de uma consciência individual (de escolha pessoal), e não coletiva (de padronização em massa).

Beleza livre é o novo normal. Se a sua marca ainda não é limpa e livre… onde está a beleza?

 

Como defender a beleza livre: advocacy ou ativismo?

Ativismo e advocacy são ferramentas complementares para provocar mudanças sociais e políticas. 

Do latim Ad vocare, ou ‘falar por’, advocacy refere-se ao ato ou processo de defender algo para alguém, apoiando uma causa ou proposta em defesa de direitos, com a finalidade de influenciar a formulação de políticas e a alocação de recursos públicos

Já o ativismo é feito por pessoas engajadas em fazer as mudanças acontecerem por meio de ações diretas e campanhas vigorosas, que podem ser de apoio ou oposição a uma causa. Geralmente o ativismo ocorre fora do sistema, quando não em confronto contra esse. 

Beleza livre é sobre uma nova narrativa – estética, emocional, social, política, jurídica, econômica, ambiental – de valorizar o que nos torna diferentes, autênticos, verdadeiros. 

Propõe uma nova semântica sobre a beleza que, acelerada por movimentos socioambientais, está impactando a consciência coletiva, forçando consumidores a repensarem suas prioridades, dando cara e corpo novos a empresas e marcas e mostrando a alma da indústria de cosméticos que trabalha pela saúde e bem-estar.

Fale por você e fale por outres. Demande produtos livres de ingredientes tóxicos e marcas com uma comunicação livre de comportamentos tóxicos. Defenda a beleza livre de preconceitos, inclusiva, diversa e criativa para todes. Que respeita os direitos das pessoas, da terra, das águas, dos animais, da saúde, do planeta. 

A beleza livre chegou para acelerar as mudanças que o mundo precisa. 

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